Para fazer um orçamento com rendimentos irregulares, planeie só o dinheiro que já está na sua conta, nunca a fatura de que está à espera. Defina um mês base, encha-o por uma ordem fixa de prioridades e ponha o excedente de cada mês bom numa reserva até ela cobrir um mês de despesas. Depois, o seu ordenado sai daí.
Porque os conselhos habituais falham
Quase todos os conselhos sobre orçamento partem de um dia de ordenado: o dinheiro cai na mesma data e a única pergunta é como dividi-lo. Com trabalho independente, comissões, horas sazonais ou um pequeno negócio, a data e o valor mexem os dois. Um plano montado sobre o mês médio está errado em todos os meses reais: generoso de mais quando um cliente paga tarde, apertado de mais quando caem três faturas de uma vez.
A solução não é uma média melhor. É mudar o que se orçamenta: o dinheiro que está hoje na conta, e mais nada. Uma fatura que enviou ainda não é rendimento. Um contrato que assinou ainda não é rendimento. Quando o dinheiro chega, passa a ser um monte sem nome, e atribui-o nessa altura. Isso é o orçamento de base zero aplicado à letra, e é a única versão que sobrevive a um mês fraco.
O mês base
Escreva o que custa um mês normal se nada correr mal: renda ou prestação da casa, água, luz e gás, comida, transportes, seguros, as prestações mínimas das dívidas, os impostos que deve e um valor modesto para tudo o resto. Use a despesa real do ano passado, não o número que gostaria que fosse. Esse total é o seu mês base. É o que um mês precisa para ficar seguro, e todas as outras decisões deste guia se referem a ele.
Se nunca registou despesas, três meses de extratos bancários e um serão chegam.
A ordem das prioridades
O dinheiro enche o mês base por uma ordem fixa, e a ordem não muda porque um mês soube bem. Primeiro casa e contas da casa, depois comida e transportes, depois impostos, depois prestações mínimas e seguros, depois a reserva, e só então tudo o resto. Os impostos merecem uma palavra à parte: ponha de lado uma fatia de cada pagamento no dia em que ele cai, num envelope próprio, e nunca lhe toque. Salte este passo e a conta inteira chega de uma vez, quase sempre num mês magro.
Pôr a reserva à frente dos jantares fora parece duro durante uma época. Depois disso, um mês fraco passa a ser aborrecido em vez de assustador.
Como montar a reserva, passo a passo
- Abra um envelope de reserva. Um só envelope, com um nome simples e uma meta igual ao seu mês base. Não é um fundo de emergência; é o ordenado do mês que vem.
- Encha este mês com o que tem. Atribua o dinheiro que está hoje na conta pela lista de prioridades até o Por atribuir marcar zero. Se acabar antes do fim da lista, o que está em baixo espera.
- Mande cada excedente para a reserva. Num mês bom, com o mês base coberto, o que sobra entra no envelope da reserva antes de qualquer outra coisa, e não num mês maior.
- Pague-se da reserva numa data fixa. Quando a reserva tiver um mês base completo, comece cada mês a mover um mês base dela para os envelopes do mês. Volta a ter dia de ordenado, escolhido por si.
- Volte a enchê-la por trás. O rendimento novo passa a entrar na reserva, não diretamente no mês. A reserva torna-se o intervalo entre o dia em que os clientes pagam e o dia em que gasta, que era o problema todo.
Como um mês bom paga os meses magros
Um mês bom não é um aumento. Três faturas numa semana são o dinheiro que teria de qualquer forma, a chegar mais cedo. A regra que mantém o plano vivo é que a despesa do mês é fixada pelo mês base, não pelo que entrou. O excedente vai para a reserva, depois para os impostos se estiver atrasado, depois para os objetivos a que deu nome, e só então para um mês melhor. Quando a reserva tiver dois meses base, o segundo é mesmo de sobra: dívidas, mais folga, umas férias.
Os meses magros não precisam de drama. O mês base é coberto pela reserva, o fundo da lista espera, e olha para a semana seguinte em vez de olhar para o ano.
O que ver todas as semanas
Três números, uma vez por semana, dez minutos. Quanto está por atribuir: deve ser zero, ou é dinheiro sem função. Quantos meses base tem a reserva: um é seguro, dois é tranquilo, menos de um é sinal para cortar na lista. E o que vence nos próximos catorze dias, para que um débito direto nunca encontre a conta vazia. É essa toda a revisão. Mais do que isso torna-se uma tarefa.
Os erros
Orçamentar a fatura. O único erro que desfaz todos os outros: dinheiro planeado antes de existir, gasto antes de cair, e depois em atraso.
Tratar um mês bom como o novo normal. A despesa sobe para o alcançar, e o mês magro seguinte é pior do que precisava de ser.
Misturar o dinheiro dos impostos com a reserva. Parecem iguais num mês bom e não têm nada a ver quando a conta chega.
Saltar o olhar semanal. Com um ordenado fixo pode ser descuidado um mês e recuperar. Com rendimentos irregulares, o desvio acumula.
Rendimentos irregulares no vokse
O vokse orçamenta como este guia descreve porque é de base zero: o dinheiro a atribuir está no topo, conta só o que está nas suas contas, e o objetivo é levá-lo a zero. Um envelope de reserva com uma meta de poupança mostra quanto falta para um mês base, e um valor mensal a atribuir em cada envelope transforma a lista de prioridades em encher de cima para baixo. O calendário do dinheiro alinha as contas e as cobranças recorrentes dos próximos catorze dias e dos seguintes, e o olhar semanal passa a ser um relance. A previsão lê seis meses do seu histórico e os seus movimentos recorrentes para mostrar o saldo do mês seguinte antes de ele começar, o mais perto de um recibo de vencimento que quem ganha de forma irregular consegue ter. A página do orçamento mostra os envelopes, o contador de Por atribuir e o movimento que enche um mês magro a partir da reserva.